Seguidores

quinta-feira, 1 de junho de 2023

O QUE É TEONTOLOGIA?


 Introdução

    Quando começamos nossa jornada no estudo da Teologia, um dos grandes desafios tem a ver com as palavras que acarretam um conceito teológico. Muitas das palavras dentro da Teologia Sistemática servem para descrever um conceito teológico. Quando estudamos a doutrina de Deus, nos deparamos com a palavra “Teontologia” ou a frase “Teologia propriamente dita”. Bom, neste ensejo vamos descomplicar a teologia, conhecendo alguns conceitos. O que é Teologia propriamente dita?

    Maior parte dos tratados teológicos ou Teologia Sistemática" tem um capítulo intitulado teologia propriamente dita. Principalmente na língua inglesa. Quando comecei a ler a recente obra de Joel Beeke, Teologia Sistemática Reformada [1], o primeiro volume, ainda pude me deparar com a mesma frase. Acredito que você já se deparou com este termo. Teontologia! 

Estudo do termo

    A palavra teontologia vem do grego e é formada por três vocábulos: theos, “Deus”, ontos, “ser”, e logos, “palavra” ou “lógica”. Daí o significado de teontologia dizer respeito ao “estudo do ser de Deus”. Teontologia é a parte da Teologia Sistemática que se dedica ao estudo sobre o ser Deus e sua obra. Você pode encontrar alguns teólogos em seus tratados ou Teologia Sistemática tratar desta parte como Teologia propriamente dita ou Teologia própria, que é sinônimo de Teontologia. Ademais, algumas obras de Introdução à Teologia Sistemática intitulam esta parte também como A Doutrina de Deus.

    Acredito que fica mais fácil chamar está parte da Teologia Sistemática de “A doutrina de Deus”. Portanto, quando você encontra o capítulo Teontologia ou Teologia propriamente dita trata-se do Ser de Deus e as suas Obras; é o mesmo que A Doutrina de Deus. Por exemplo, R.C. Sproul, no seu livro Somos Todos Teólogos: uma introdução à teologia sistemática, na segunda parte do seu livro sobre o estudo do ser Deus e seus atributos, ele trata este capítulo como “Teologia propriamente dita”. Porém, Alister McGrath, em sua Teologia Sistemática, chama esta parte do estudo de Deus como “A doutrina de Deus". O notável professor Erickson Miller também chama o mesmo capítulo de “Doutrina de Deus”.

3.    Quais são os temas estudados na Doutrina de Deus?

    Bom, dentre diversos assuntos que encontramos em Teologia propriamente dita são questões relacionadas: 1) A Existência de Deus, 2) O Conhecimento de Deus, 3) Os Nomes de Deus, 4) A Santíssima Trindade, 4) Os Atributos de Deus, 5) Os Decretos de Deus, 6) A Criação e 7) A Providência de Deus.

4.    Por que estudar Teologia Sistemática?

    Estudar Teologia Sistemática é muito fundamental para todo crente, é um caminho piedoso para cultivar o conhecimento de Deus. “Para Calvino, compreensão teológica e piedade prática, verdade e utilidade, são inseparáveis” (Joel Beeke, Espiritualidade Reformada, pág. 19). O conhecimento de Deus fomenta a verdadeira piedade, amor a Deus, temor filiar e sobretudo ajuda-nos a ter conhecimento profundo de Deus. Não deixe de estudar Teologia. É bom começar sempre com aqueles bons livros sobre Introdução à Teologia Sistemática.

 

Por. C. R. Bernardo

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2023

SANTIFICAÇÃO – A VONTADE DE DEUS




1. Introdução

Será que você sabe o que é a santificação? Já ouviu falar dela? Você é uma pessoa santa ou ninguém pode ser Santo? O Breve Catecismo de Westminster na pergunta 35 nos ajuda a responder a questão: O que é santificação? Ele responde: "Santificação é a obra da livre graça de Deus, pela qual somos renovados em todo o nosso ser, segundo a imagem de Deus, habilitados a morrer cada vez mais para o peca¬do e a viver para a retidão".  


Outra definição muito clara e bíblica é oferecida por John Owen que diz: “Santificação é a obra imediata de Deus que por meio de seu Espírito age de forma integral sobre nossa natureza, procedendo a partir da paz exercida em nós por meio Cristo, através da qual somos transformados à Sua semelhança. Somos então mantidos nesta paz com Deus e preservados inculpáveis, graciosamente aceitos por Ele de acordo com os termos de Sua aliança até o fim".


Nesta definição, Owen mostra claramente que a santificação é uma obra do próprio Deus em nós e que esta obra busca transformar a nossa natureza a semelhança da natureza de Cristo, o nosso percursor, aquele que abriu o novo e vivo.  Esta definição de Owen está em perfeita harmonia com a do breve Catecismo, ambas mostram a santificação como uma acção que procede de Deus. 


2. A essência da Santificação


A santificação é um processo que começa no momento do novo nascimento após um arrependimento genuíno, e continua durante toda a vida do crente até o seu último suspiro. Essa obra actua directamente sobre dois pilares chamados de Mortificação e Vivificação. 


A mortificação é o processo que consiste em matar o pecado em nós; matar as nossas paixões e desejos enganosos. A vivificação é o processo que consiste em tornar-se vivo para justiça, viver para Cristo e andar nas boas obras que ele preparou para que de antemão andássemos nelas.


Em Romanos 8:10-17 o apóstolo Paulo deixa claro a ideia da santificação como uma espada de dois gumes envolvendo a mortificação e a vivificação - “Ora, se Cristo está em vós, o corpo, na verdade, está morto por causa do pecado, mas o espírito vive por causa da justiça. E, se o Espírito daquele que dos mortos ressuscitou a Jesus habita em vós, aquele que dos mortos ressuscitou a Cristo Jesus há de vivificar também os vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que em vós habita…”


Paulo mostra que todo o cristão é chamado a uma vida de mortificação e ao mesmo tempo a uma vida de vivificação. A nossa mortificação consiste numa renúncia diária e contínua do pecado. Mortificação envolve conflito consigo mesmo, com sua carne, com o mundo, e com Satanás. É uma luta ferrenha que nós podemos vencer, pelo poder do Espirito Santo em nós. Em sua famosa frase sobre a mortificação do pecado, John Owen disse: "Se você não estiver continuamente matando o pecado, ele estará continuamente matando você." 


A vivificação é a fusão do Espírito de Deus em nós, que nos capacita a cada vez mais renunciar as obras da carne e ter o nosso prazer e deleite em Cristo cada vez mais abundante. Mortificar as obras da carne pelo Espírito é uma prática diária de matar o pecado em nossas vidas, Ela é o resultado de nossa justificação em Cristo e a evidência da sua regeneração e de sua salvação. Todo aquele que vive mortificando a sua carne mostra que está unido a Cristo.. 


3. A obra de Santificação em nós


O Espírito Santo é o vivificador daqueles que estavam mortos em seus pecados e delitos, aquele que faz os ossos sequíssimos levantarem das mais profundas tumbas, que oferece aos homens a vida eterna e que Ele mesmo se atesta como o penhor da salvação dos seus. Todo ser humano ao crer em Cristo Jesus recebe dele, o Santo Espírito, que o convence do pecado, do juízo e da justiça.


a) Ao ser convencido do pecado, os homens passam a odiar o pecado, pois o Santo Espírito ilumina os corações e  faz-nos ver o quão mau é o pecado diante de Deus, e que todos aqueles que vivem para o pecado não podem ser amigos de Deus e jamais herdarão o seu reino. Então passamos a odiar tudo aquilo que Deus odeia e a ter prazer naquilo que Deus ama. Neste momento o pecado já não tem mais domínio sobre a pessoa que creu em Cristo; ela já não corre mais para ele, ela já não vive para si mesma pois Cristo vive nela (Rm 8:6-8; Gl 2:20).


b) Ao ser convencido da justiça, a pessoa passa a entender que Cristo é o único digno de sua adoração pois em sua morte, ele nos ofereceu vida em si mesmo. Agora a justiça de Cristo lhes foi imputada, em Cristo fomos feitos justiças de Deus, e agora andamos nas obras de justiça, que Deus preparou antes da fundação do mundo para que nelas andassemos. O pecado já não é algo para nós, pois a lei do espirito da vida, em Cristo Jesus, nos livrou da lei do pecado e da morte, de forma que já não há nenhuma condenação para aqueles que estão em Cristo (Rm 1: 25-26; 8:1-2, Ef 2:10).


c) Ao ser convencido do juízo, a pessoa vive na certeza de que sua esperança está unicamente em Cristo e que nele está eternamente seguro, pois o inimigo já foi vencido e exposto a vergonha para sempre. O príncipe deste mundo não tem mais domínio sobre aqueles que estão em Cristo, “o filho de Deus nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do filho do seu amor”, para sempre! Estas verdades assentam em nossos corações e nos oferecem uma paz que o mundo não pode receber! (Jo 16:13; Cl 1:13, 2:15). 


4. Conclusão

Toda esta obra do Espirito Santo em nós é a resposta para a pergunta feita inicialmente, um cristão é santificado por Cristo e essa santificação gera nele um amor por Cristo e uma repulsão pelo pecado. “Busquemos a santificação, sem a qual ninguem verá a Deus”.


Que Deus nos Santifique!

Josemar Frederico

-------------------------

O Presente texto foi extraído maioritariamente do livro: Pureza Sexual – Josemar Frederico.

quinta-feira, 31 de março de 2022

A ONIPRESENÇA DE DEUS: CONFRONTO E CONSOLO EM DIAS DIFÍCEIS

 




A Onipresença de Deus é parte de seus atributos incomunicáveis, aquele que ele não compartilhou com os homens e, pode ser definida de seguinte maneira: “Deus não tem tamanho nem dimensões espaciais e está presente em cada ponto do espaço com todo o seu ser. Ele, porém, age de modo diverso em lugares diferente”. [1] O termo onipresença sempre está ligado a infinidade de Deus “que faz com que ele tenha a sua presença plena em cada parte do espaço”.[2]

Um dos textos que explica este atributo com maior clareza e beleza é o Salmo 139:7-10. Aqui o Salmista mostra-nos sua compreensão sobre Deus do qual conclui, não há lugar onde pudesse se esconder no qual o Senhor que é Soberano não estaria ou não o encontrasse.

Davi no verso 7 expressa seu temor reverente diante da Onipresença de Deus e a tradução feita pela NVI nos ajuda a compreender isso, pois apresenta dois verbos que podem ilustrar melhor o que está no recôndito da alma do salmista. Verbos como “fugir e correr” no verso 7, dão o sentido de ir o mais distante possível da presença de Deus (claro, se isso fosse possível para qualquer homem). Todavia, no verso 8, o Salmista entende que o Senhor está nos céus, mas também está nas profundas sepulturas (isto é, nos dois extremos). Ele está em um extremo e ao mesmo tempo está no outro extremo, não como parte dividida de si, mas como o mesmo Deus que tudo conhece, tudo controla e tudo vê. Portanto, ninguém consegue escapar de sua infinita presença.

1.      Um atributo que corrige nossa teologia de adoração diária

Este atributo quando compreendido muda à ideia errônea que alguns irmãos têm sobre a oração. Você provavelmente terá ouvido de alguns irmãos “zelosos”, mas que, por conta de uma visão minúscula de Deus, dizem quando se levantam para orar “vamos entrar na presença de Deus para orar”, ou aquelas que dizem: “não existe melhor lugar para estar senão no centro da vontade de Deus”. Com a primeira afirmação as pessoas esquecem que com ou sem oração o homem esta diante de Deus, e tudo que faz deve ser feito em reverência a Ele. Você não está entrando na presença de Deus quando ora, você já esta diante dele orando ou não, pois ele é Onipresente. Portanto, tratemos de fazer tudo pensando que estamos diante do Deus Onipresente.

Com a segunda afirmação (não existe melhor lugar para estar senão no centro da vontade de Deus), às pessoas procuram passar uma imagem como se a vontade de Deus ficasse no centro, não pouco a esquerda nem um pouco a direita, somente no centro. À luz disso, quem fica um pouco à esquerda ou mais a direita, está mal ou totalmente perdido. No entanto, isso é uma associação que os homens procuram fazer sobre a vontade de Deus e não o que as Escrituras fazem. A Bíblia ao expressar sobre a vontade apenas deixa claro que existem duas: aquelas que nos foram reveladas e, portanto, estão claros nos textos; por outro lado, temos aquela que não nos foi revelada – o que não é nossa responsabilidade descobri-las (Dt 29:29). Todavia, não há qualquer referencia bíblica chamando as pessoas para estarem no “centro” da vontade de Deus, nem para esquerda ou direita. Fomos chamados a obedecer ao que está escrito como vontade de Deus.  

E dentre muitos imperativos que temos a obedecer na Bíblia como vontade de Deus, encontra-se textos como: “pois está é vontade de Deus: a vossa santificação, que VOS ABSTENHAIS da prostituição” (1Ts 4:3, ênfase minha). Porque escrito está: SEDE Santos, porque eu sou santo (1 P 1:16, ênfase minha). Portanto, não há qualquer misticismo. Está claro o que devemos fazer depois que somos alvejados pelo evangelho. Se for imperativo somos chamados a seguir, não é estar no centro, não é estar na esquerda nem na direita. O que está nesses textos é a marca dos que foram selados pelo Espírito Santo, partindo do pressuposto de que o cristianismo não começa pela busca da santidade em si mesmo, mas que a busca de se parecer com Deus por meio da santificação marca os que são e os que não são de Deus. A resposta de quem vislumbra o Deus onipresente é submissão inquestionável diante desses e muitos outros textos bíblicos.

No entanto, à luz da visão errônea sobre a vontade de Deus o que deve pairar em nossas mentes não é a questão se estamos no centro, na esquerda ou na direita. A pergunta que devemos nos fazer é se o que estamos fazendo é a vontade de Deus revelada na Bíblia Sagrada. Pois, isso nos afastará de pressuposto que não sejam bíblicos. Se nos conformarmos que Ele é Onipresente, nossa adoração diária será sustentada por pressupostos bíblicos e não por palavras vazias. Esse atributo de Deus nos ensina a andar somente naquilo que ele falou, pois é único suporte que temos.

2.      Um atributo preocupante ao homem fraco e desleixado

Embora sejamos santos em Cristo, ainda lutamos contra os nossos inimigos (o mundo, a carne e o diabo). E diante das tentações que nos seduzem todos os dias, este atributo nos mostra que não estamos sós. O Deus Onipresente está conosco nos fortalecendo em nossas fraquezas. Não fomos abandonados numa caminhada sozinhos, temos o Espírito Santo em nós como o guia e também temos a Deus Pai que vê tudo nos dias nublados. Quando as coisas parecem difíceis, somos chamados a olhar para Deus Pai que não nos abandona e em seu Filho que “está conosco todos os dias até a consumação dos séculos” (Mt 28:20b). Quando pecamos precisamos compreender que por mais escondidos que nossos atos tenham sido praticados, Deus é onipresente e, ele viu tudo. Nada foi feito no oculto.

Não há nada que venhamos pensar, ou executar que Deus não saiba o que está acontecendo em nossos corações. Quando as pessoas caírem em pecados, elas devem saber que até os atos cometidos aparentemente às escondidas, ou na escuridão da luz elétrica, estão visíveis para Deus. Ele está presente vendo as atrocidades dos homens. Os ímpios não podem se esconder da Onipresença de Deus, os cristãos também não podem, todavia, nós temos o Advogado (1 Jo 2:1). Contudo, isso não é motivo de continuar-se em más praticas, se de fato nascemos de novo (1 Jo 3:7-10). Pensemos que Ele é Onipresente e corramos para ele em nossas fraquezas a fim de não nos entregarmos às seduções desta vida. Nós estamos com o Todo- Poderoso e com aquele que venceu a morte, a fonte de nossa vida (1Jo 5:4-5).

3.      Um atributo maravilhoso no dia da Angústia

O Deus que é ilimitado temporalmente, também é ilimitado espacialmente. Ele é Deus de perto e também é Deus de longe, aquele que nos vê (Jr 23:23-24). O Deus das Escrituras é um Deus sempre presente, que por meio de sua presença enche os céus, a terra e os remidos, por meio de seu cuidado paternal. Este é o maior consolo para uma geração que se sente governada pelos por líderes políticos, mas também pode ser um consolo para o cristão que se sente abandonado nas enfermidades ou em outras angústias dessa vida.

O atributo da Onipresença de Deus consola nossas almas diante dos males que assolam o mundo no qual vivemos. Quando a injustiça triunfa, quando os malfeitores nesta terra conseguem fazer leis que defendem com ousadia, a despeito de suas irregularidades; sabemos que há um Deus que sabe tudo e vê todas as coisas (Hb 4.13; Pv 15.3; Is 57.15). Portanto, descansemos nele sabendo que o dia do grande julgamento chegará (At17:31)

Que este atributo preencha nossa mente no dia que as coisas não fizerem sentido, ou que diagnóstico da enfermidade for o menos que esperávamos.

Que a graça de Deus em Cristo Jesus confronte, conforte e fortaleça nossos corações.

No amor de Cristo,

Luís Mendonça

 

NOTAS:

[1] - GRUDEM Wayne. Teologia Sistemática- São Paulo: Vida Nova, 1999, p. 121.

[2] - CAMPOS, Heber Carlos de. O Ser de Deus e seus atributos, São Paulo: Cultura Cristã, 2012, p. 211. 


terça-feira, 23 de novembro de 2021

AS MUDANÇAS VISÍVEIS DO ARREPENDIMENTO

 

 

Podemos todos saber acerca de Deus, mas só se achegam a Deus com um coração sincero, aqueles que na realidade experimentaram o verdadeiro arrependimento. Entretanto, onde flui o verdadeiro arrependimento há um coração regenerado e nasce também a mortificação do pecado como consequência da infusão da graça. Gerando abnegação e é sobretudo visível o converter-se do pecado. 

O arrependimento produz no coração penitente uma aversão para com o pecado, que consequentemente o leva abandonar o pecado. “Deixe o perverso o seu caminho” (Is 55.7). Uma pessoa verdadeiramente arrependida abandona o caminho do pecado. 

O arrependimento é um fruto da livre graça de Deus. Não é na sua totalidade uma obra humana. Para que haja arrependimento é necessário o juízo da transgressão cometida. Uma das características do pecado é cegar a mente, como também prender o coração do homem no pecado. 

Olhos abertos é um dos primeiros passos para que haja arrependimento. A percepção de seu estado de pecador é fruto da intervenção graciosa de Deus. Saulo (At 9.1-19) precisou desta intervenção para compreender que é um pecador e não estava servido a Deus. O povo de Nínive precisou ouvir de Jonas (intervenção de Deus) para perceber o seu estado e voltar-se para Deus (arrepender-se, Jn 3). Davi precisou de Natã (para abrir-lhe os olhos) e arrepender-se (Sl 51).

O notável pastor puritano Thomas Watson, num dos seus clássicos, The Doctrine of Repetance (A doutrina do Arrependimento), pintou o quando do arrependimento da seguinte forma: “Um navio se dirige ao leste; e o vento muda seu rumo para o oeste. De modo semelhante, um homem se encaminhava para o inferno, mas o vento contrário do Espírito soprou, mudou o seu rumo e o fez andar em direção ao céu”. [1] Este é uma clara descrição da intervenção graciosa de Deus no arrependimento. Ainda assim, este converter-se do pecado implica uma mudança notável. Converter-se do pecado é tão visível que os outros podem percebê-lo. Por isso, é chamado de uma mudança das trevas para a luz (Ef 5.8). Paulo, depois de ter recebido a visão celestial, ficou tão diferente que todos se admiraram da mudança (At 9.12). 

Está intervenção que nós conceituamos como regeneração não simplesmente abre os olhos, como também gera um genuíno arrependimento e por último habilita-nos a responder com fé o evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo. Deus como grande cirurgião efectua a regeneração.  O arrependimento é a expressão de um coração regenerado e este é acompanhado de mudanças transformadores e visíveis. Para Watson, “Essa mudança visível que o arrependimento produz em uma pessoa é como se outra alma se abrigasse no mesmo corpo”. [2] 

Ademais, para melhor compreensão dessa mudança, tratamo-la como “converter-se do pecado”. Assim fez também Watson no seu tratado quanto a descrição do arrependimento.  Quando lemos sobre o povo de Nínive, sobre Davi, depois da intervenção de Deus é visível as mudanças que o arrependimento traz na vida de quem experimenta. Portanto, O arrependimento deve ser um modo de vida, querido leitor e amado irmão. Isto é, o arrependimento deve ser parte do nosso viver diário. ”Morrer para o pecado é a vida do arrependimento”. Na prática do arrependimento, “os olhos devem fugir de vislumbres impuros. O ouvido tem de fugir dos escárnios. A língua, do praguejamento. As mãos, dos subornos. Os pés, dos caminhos das meretrizes. E alma, do amor à impiedade”. [3]

 

Por: C. R. Bernardo

 

NOTA:

[1] - Watson, Thomas,The Doctrine of Repetance, published byThe Banner of Truth Trust in .U.S A.
[2] - Ibid.
[3] - Ibid.


“DEUS ME ACEITA COMO SOU”


 

 

“Deus me aceita como sou”. Assim diz aquele que vive na promiscuidade, idolatria, na rebeldia contra Deus, que se deleita nos prazeres da carne, e de modo algum quer abandonar seus pecados, antes, pelo contrário, quer justificá-los. Normalmente essa afirmação é antecedida por “não julgueis para não serem julgados”, “todos somos filhos de Deus”, “Deus é amor”, ou é sucedida de “eu posso fazer e ser quem eu quiser”, “respeito a posição da igreja, mas Deus mesmo me aceita assim como sou”.

A primeira coisa que essa afirmação nos mostra é uma falsa compreensão do Ser de Deus, afinal “Deus é amor”, esquecem-se que Ele também é santo, e Deus é justo só quando se sentem injustiçados. Ou ainda, mostra a tentativa de se fazer um Deus a imagem e semelhança do homem, que compreenda e atenda nossos caprichos, que passe a mão na cabeça e não corrige os erros, um Deus que é influenciado pelas ações e decisões humanas. Pois, é essa ideia de Deus que muitos se não a maioria dos que fazem essa afirmação têm em mente, para muitos Deus é como os deuses gregos que dependiam das orações dos homens para que se mantivessem fortes ou mesmo sobrevivessem. Essa afirmação é uma revelação do quão raso é o conhecimento da escritura que muitas pessoas possuem, porque até onde sabemos o evangelho nos muda, faz-nos novas criaturas.

É uma afirmação de que Deus os aceita e aceitará mesmo tendo uma vida promiscua e totalmente depravada. Alguns destes já ouviram a pregação do evangelho, mas se mantêm incrédulos, sem arrependimento, com cada vez mais prazer na vida mundana. As pessoas que pensam assim veem nessa falsa ideia um passaporte para a libertinagem, para viver do seu próprio jeito, e ainda assim, serem aceitas por Deus. Revelam não terem fé em Deus e sem fé é impossível não só agradar a Deus, como também é impossível ser salvo (Hb 11:6). Será que Deus me aceita mesmo como sou?

A resposta é não. Só existe um caminho e um único Mediador para se achegar a Deus e ser aceite por ele, e este é Jesus (Jo 14:6; 1Tm 2:5). Deus não nos aceita como somos em nós mesmos, por algo que fizemos ou que venhamos a fazer, Ele nos aceita como salvos, justos, redimidos, santos como somos em Cristo por meio da fé (Gl 3:26-27; At 13:39; Rm 5:1,9, 3:24). Sim, em Jesus ele faz tudo isso. Só é aceite por Deus aquele que creu em Jesus Cristo (Jo 1:12; 1Jo 5:10-12, Rm 10:12), e quem não crê nele está condenado (Jo 3:18). Essa questão é bem simples: se crês em Jesus Cristo como Senhor e Salvador estás salvo, não crês estás condenado.

Ao contrário do que os defensores desta afirmação pensam, apenas os salvos são guiados pelo Espirito Santo: “Porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus. Pois vocês não receberam um espírito que os escravize para novamente temerem, mas receberam o Espírito que os torna filhos por adoção, por meio do qual clamamos: "Aba, Pai" (Rm 8:14-15). Todo que é aceite por Deus tem comunhão com Deus e prazer nas coisas de Deus (Sl 1:2, Mt 6:33, Cl 3:1); Todo aceite por Deus torna-se nova criatura e vive num processo de santificação (Lv 20:7, 2Co 5:17, Hb 12:14, 1Pe 1:14-14). São santos, obedientes e praticantes da lei de Deus (Lv 20:7-8, Tg 1:22).

João Calvino ao falar sobre a vida cristã afirmou: “Já dissemos que o escopo da regeneração é que na vida dos fiéis se faça patente harmonia e conformidade entre a justiça de Deus e sua obediência, e dessa forma confirmem a adoção mercê da qual foram recebidos por filhos [Gl 3.24; 2Pe 1.10]”. [1] Isso nos mostra a ligação que existe entre a salvação, adoção e obediência a Deus, o salvo é obediente ao Pai (Deus), e não vive mais rebeldia contra a vontade do Pai.

Então, não se engane pensando que sem fé em Cristo, sem arrependimento, sem nascer de novo és aceite por Deus. Como a Bíblia declara: “Vocês não sabem que os perversos não herdarão o Reino de Deus? Não se deixem enganar: nem imorais, nem idólatras, nem adúlteros, nem homossexuais passivos ou ativos, nem ladrões, nem avarentos, nem alcoólatras, nem caluniadores, nem trapaceiros herdarão o Reino de Deus” (1Co 6:9-10). Portanto, é necessário crer em Cristo, se arrepender e nascer de novo (Mc 16;16; Jo 3:5,16, 36; At 2:38). Como disse o puritano William Whatley: ”Se Cristo viessse e morresse dez mil vezes por um único homem, todas essas mortes não adiantariam em nada para a salvação desse homem, a menos que ele fosse feito uma nova criatura”. [2] 

Infelizmente, a proposta de evangelho que muitas pessoas têm recebido não é o convite para o arrependimento, transformação de vida, santificação, relacionamento com Deus, mas um chamado a gozarem das bênçãos de Deus sem qualquer compromisso com o Deus das bênçãos. Muitos querem apenas experiências com Deus e zero compromisso com ele, mas lhes asseguro que ter experiências com Deus e não resultar em compromisso e mudança de vida é um sinal de que se caminha rumo ao abismo.

Para quem pensa e procede desta maneira, ouça as palavras de nosso Senhor: “Mas, se não se arrependerem, todos vocês também perecerão” (Lc 13:3). Se não te arrependeres do pecado e crer em Cristo, lamento informar, você não é aceite por Deus. Por isso, creia em Jesus, arrependa-se dos seus pecados e serás salvo. Jesus é o único meio de salvação, a fé em Cristo é única maneira de se achegar a Deus e de ser aceite por ele.

 

Por: Alber Pacavira

NOTA:
[1] - CALVINO, João Calvino. As Institutas. Vol. III. SP: Cultura Cristã, 2006, p. 155.
[2] - Citado por BEEKE, Joel R.; JONES, Mark. Teologia Puritana: teologia para vida. SP: Vida Nova, 2016, p. 668.


segunda-feira, 22 de novembro de 2021

A ASCENSÃO E EXALTAÇÃO DE CRISTO


 


 

O famoso Credo Apostólico traz em seu terceiro artigo as seguintes palavras sobre o Cristo ressurreto: “...subiu ao céu e está sentado à direita de Deus Pai Todo-Poderoso”. Esta declaração é uma síntese das verdades bíblicas sobre ascensão e exaltação de Cristo.

Embora o Credo apostólico não fora propriamente elaborado pelos apóstolos, ela é uma declaração da igreja pós-apostólica na tentativa de confessar publicamente as verdades bíblicas ensinadas pelos apóstolos, as quais eles piamente criam (por isso o nome Credo Apostólico). O presente artigo procura fazer uma abordagem do significado e a vital importância da ascensão e exaltação de Cristo para a igreja e o cosmo.

 

1.    O Significado da Ascensão de Cristo

O termo “está sentado à direita de Deus Pai Todo-Poderoso”, deve ser entendida como uma figura de linguagem. Ela comunica a exaltação que Cristo recebeu de seu Pai para reinar sobre todas as coisas em seu nome (Fp 2.9-11; Ef 1.20-23; 1 Co 15.27), bem como expressa sua função definida como Rei sobre a nova criação que começou com a sua vinda (Mt 3.2) e mostrou-se triunfante em sua ressurreição (Mt 28.18). Assim, o ato de assentar-se a direita de Deus Pai, nas palavras de Calvino, “se trata não do posicionamento do corpo, mas da majestade de senhorio, de sorte que estar assentado outra coisa não é senão presidir sobre o tribunal celeste”. [1]

Agora, é necessário entender que tanto a ascensão de Cristo como o ato de assentar-se a direita de Deus Pai mostram ter Cristo não apenas o governo sobre a sua igreja (reino espiritual), mas sobre a toda a sua criação (reino cósmico). O reino de Deus sobre o cosmo, a qual fora uma vez “abalada” pela entrada do pecado, (primeiro na criação angelical, depois na criação humana, afetando o cosmo inteiro) agora com a morte, ressurreição e ascensão de Cristo é redimida por Cristo. Paulo disse que em Cristo Deus nos revelou “o mistério da sua vontade, segundo o beneplácito que propusera em Cristo, de fazer convergir nele, na dispensação da plenitude dos tempos, todas as coisas, tanto as do céu como as da terra” (Ef 1.9-10). Portanto, a exaltação de Cristo declara ele como o Rei do Universo (At 2.36).

2.    A Relevância da Ascensão de Cristo

Embora já pudemos ver a glória de Cristo ao ressurgir dos mortos, ao subir ao céu ele foi verdadeiramente exaltado ao seu reino (Sl 110). Pelo que sua ascensão era necessária para que verdadeiramente reinasse sobre todas as coisas. Paulo apresenta que importava “ter ele subido aos céus para que preenchesse todas as coisas” (Ef 4.10).

Precisamos entender que Cristo “retirou-se de nós para que sua retirada nos fosse mais benéfica do que esta presença que, por quanto tempo andou na terra, estava contida no desprezível habitáculo da carne”. [2] De fato, o próprio Senhor Jesus nos afirmou da importância da sua ascensão aos céus, retirando-se de nós por breve tempo, isto é, de modo físico. Sua retirada dentre nós era necessária a fim de: 1) ir nos preparar lugar (Jo 14.1-3), 2); 2) enviar o Espírito sobre nós, o amado Consolador/Auxiliador (16.7; 14.16-17); e 3) ser o nosso representante junto ao Pai (Jo 16.23-27).

A retirada de Jesus dentre nós certamente não significa que ele tenha falhado na sua promessa de estar conosco até ao fim dos séculos. Devemos nos lembrar de que Cristo é tanto verdadeiro homem como verdadeiro Deus. O Catecismo de Heideberg, respondendo a essa questão diz: “Segundo a sua natureza humana, não está agora na Terra; mas segundo a sua divindade, majestade, graça e Espírito, jamais se afasta de nós”. [3]

3.    Os Três Ofícios de Cristo em sua ascensão e exaltação

Cristo em sua ascensão e assentar-se a direita de Deus Pai cumpre de modo pleno com os três ofícios de sua vocação: Profeta, Sacerdote e Rei.

Como profeta, podemos identificar o comprimento de todas as profecias registradas na Bíblia sobre aquilo que na teologia é chamado de “O Cordão Dourado”: Reino, Pacto e Mediador. Cristo cumpriu em sua vida, morte e ascensão as promessas da instalação do reino cósmico de Deus (Sl 110; Mt 4.17; 5.17; 28.18-20), da aliança deste reino feita por Deus Pai (Sl 2; Mt 17.5; Hb 1.1-14; Hb 8; Hb 10), mediante Cristo, o Deus Filho, para com os homens (1 Ts 1.10; 1 Tm 2.5).

Como Sacerdote, “Cristo faz a sua intercessão apresentando-se em nossa natureza, continuamente, perante o Pai, no céu (Hb 9.12,24), pelo mérito da sua obediência e sacrifício cumpridos na terra (Hb 1.3), declarando que a sua  vontade seja aplicado  a todos os crentes (Jo 3.16; 17.9,20,24); respondendo a todas as acusações contra eles (Rm 8.33-34); adquirindo-lhes paz de consciência, não obstante as faltas diárias (Rm 5.1-2; 1 Jo 2.1-2), dando-lhes acesso com confiança ao trono da graça (Hb 4.16) e assegurando a aceitação da pessoa (Ef 1.6) e do serviço deles (1 Pe 2.5)”. [4]

Como Rei, Cristo chama “do mundo um povo para si (Is 55.5; Gn 49.10), dando-lhe oficiais (1 Co 12.28), leis (Jo 15.14) e disciplinas, para visivelmente o governar (Mt 18.17, 18); dando a graça salvadora aos eleitos (At 5.31); recompensando a obediência deles (Ap 22.12) e corrigindo-os por causa dos seus pecados (Ap 3.19); preservando-os dos e sustentando-os em todas as suas tentações e sofrimentos (Rm 8.337-39); restringindo e vencendo todos os seus inimigos (1 Co 15.25); poderosamente, dirigindo todas as coisas para a sua própria glória (Rm 14.11) e para o bem do seu povo (Rm 8.28), e também castigando os que não conhecem a Deus nem obedecem ao evangelho (2 Ts 1.8; Sl 2.9)". [5]

4.    Os Benefícios da Ascensão de Cristo para sua igreja

Seria tolo se não considerarmos os benefícios que a nossa fé obtém da ascensão de Cristo, pois a ascensão de Cristo beneficia grandemente sua igreja. O Catecismo de Heidelberg, em resposta à pergunta “que importância tem para nós a ascensão de Cristo?” [6], diz: 1) Ele é, no céu, nosso Advogado junto ao Pai (Rm 8.34; 1 Jo 2.1); 2) Em Cristo temos nossa carne no céu como garantia segura de que ele, como nosso Cabeça, também nos levará para si como seus membros” (Jo 14.2-3; Ef 2.6); 3) Ele nos envia seu Espírito como garantia. Pelo poder do Espírito, buscamos as coisas que são do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus, e não nas coisas que são da Terra” (Jo 14.16; Jo 16.7; At 2.23; 2 Co 1.22; 2 Co 5.5; Fp 3.20; Cl 3.1) .

Conclusão

Assim, a ascensão de Cristo e o ato de assentar-se a direita do Pai era necessário para manifestar-se no céu como Cabeça de sua igreja e para governar sobre todas as coisas em nome do Pai (Ef 1.20-23; Cl 1.18; Mt 28.18; Jo 5.22; Fp 2.9-11), de onde, por seu Espírito Santo, ele derrama sobre nós os dons celestiais (Ef 4.8-12) e nos defende e protege por seu poder contra nossos inimigos.

 

Por: Kennedy Bunga

NOTAS:
[1] - CALVINO, 
João Calvino. As Institutas. SP: Cultura Cristã, 2006, p. 275
[2] - Ibid., 
p. 273
[3] - 
Catecismo de Heideberg, Perg. 47
[4] - 
Catecismo Maior de Westminster, Perg. 55
[5] - 
Ibid., Perg. 45
[6] - 
Catecismo de Heideberg, Perg. 49

terça-feira, 26 de outubro de 2021

ULRICO ZWÍNGLIO: UM REFORMADOR DESCONHECIDO

 


    Conhecemos João Calvino como um grande sistematizador da teologia reformada, porém a figura de Ulrico Zwínglio, ruge nos bastidores da tradição reformada. Um contemporâneo de Lutero, que com sua dedicação pavimentou a estrada acabada por Calvino que hoje nós somos beneficiários. No entanto, pouco se fala deste notável reformador, uma figura incontornável na gênese da reforma. Deus não só havia levantado Lutero na Alemanha, como também levantara Zwínglio em uma pequena cidade, de uma família humilde na Suíça. Zwínglio, Estudou na universidade da Basileia, era um profundo estudante do grego, mui incomum em sua época tanto que a maioria dos sacerdotes mal conheciam o grego.

1.  Conversão e labor pastoral   

    O início de seu ministério ficou marcado com a ordenação em 1506 na cidade de Glaurus. Sendo Lutero um monge académico da universidade, Zwínglio era um padre, porém com formação diferente. Lutero possuía uma formação escolástica típica medieval, porém Zwínglio com aquela formação humanista, um notável padre e capelão, um político de sua cidade Zurique e um teólogo público. Um católico piedoso, que começou muito em breve em suas pregações. Ulrico Zwínglio na Suíça agitava as águas da reforma em seu país. Como pastor, Zwínglio foi um pastor exemplar, que de forma piedosa dedicava-se ao cuidado das necessidade de seu rebanho. Foi também um profundo estudante dos autores antigos, gregos e romanos, em seus estudos pessoais devotava maior parte do tempo.

    A cidade de Zurique não pode ser deixado para traz na vida de Zwínglio. Foi lá que Deus o levara a conversão. “Deus usou vários meios para gerar sua conversão. À medida que via, cada vez mais, a necessidade de uma reforma na igreja, ele passou a odiar os abusos papistas que destruíam as almas dos homens. À medida que seus estudos se voltaram mais e mais à Escritura, ele - mesmo antes de Lutero - viu que, apenas a Escritura devia ser a autoridade para toda a fé e vida da igreja. Na verdade, quando iniciou seu ministério em Zurique, no primeiro dia de janeiro de 1519, no seu aniversário de trinta e cinco anos, ele começou uma exposição sistemática do Evangelho segundo Mateus. Durante os próximos quatro anos de seu ministério, continuou pregando sistematicamente através do Novo Testamento, indo de Mateus a Atos, depois para as epístolas paulinas e então as gerais, e depois para os outros livros, com exceção do Apocalipse. Durante a semana, pregava em Salmos. Tal estudo não poderia ter deixado de afetá-lo”. [1]

2.    O Legado do Reformador

    Se por um lado a justificação pela fé agitou as águas da reforma na Alemanha com Lutero, na Suíça foi a totalidade das Escrituras. A percepção clara da sã doutrina, levou Zwínglio, a um apego sincero as Escrituras. Zwínglio era precisamente convencido que as Escrituras é o aferido final para credenciar uma doutrina e a autoridade máxima na igreja.

    As reformas na igreja da Suíça foi como um voltar as Escrituras e colocá-la no lugar de autoridade, isto é, regra e prática de fé. As reformas na igreja de Suíça, ocorreram em meios as reuniões públicas, onde os reformados com os teólogos romanos enfrentavam-se em debates públicos que os reformadores pediam aos magistrados da cidade juntamente com os teólogos romanos. Os conselheiros na época determinavam que a base da discussão fosse tão somente as Escrituras. Foi então assim deste modo que Zwínglio, vencia a oposição baseando-se tão somente nas Escrituras. Era as Escrituras fonte de seu argumento e raiz sólida de sua posição doutrinária.

    Zwinglio “foi um fiel reformador com respeito a Escritura. Ele insistiu sobre a exclusiva autoridade da Escritura antes que Lutero levantasse sua voz em defesa da Escritura. Ele ensinou enfaticamente a salvação em Cristo e no Seu sacrifício perfeito. Ele destacou fortemente a verdade da soberania e da predestinação eterna e pregou isto do púlpito. Ele decentemente e vigorosamente se opôs a todas as práticas romanistas contrárias às Escrituras. Ele foi fundamental para estabelecer as bases para o início da teologia do pacto”. [2]

3.    Aplicações práticas

    O que podemos fazer em nossos dias é conservar essa herança teológica e de forma contínua apregoar as verdades bíblicas. Deixar claro no âmago da igreja que as Escrituras é de todas as formas a única regra e prática de fé para o povo de Deus.

 

Por: C. R. Bernardo

NOTA:

[1] - HANKO, Herman. Retrato de Santos Fies, p.148.

[2] - Ibidem, p. 156.