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quinta-feira, 23 de julho de 2020

O ZELO EVANGELÍSTICO DE JOÃO CALVINO




Não são poucos os que acusam o reformador João Calvino, e seus seguidores, de falta de interesse evangelístico. Rotulam Calvino como um mero teólogo sem amor pelos perdidos, cujo ensino e vida não fomentam paixão pela evangelização e missões. Porém, uma pesquisa histórica, mostrará que essa acusação não passa de uma falácia. O zelo evangelístico de João Calvino é revelado em seus comentários, sermões e cartas, bem como nas suas Institutas da Religião Cristã.
Para Calvino, a soberania de Deus não anula a evangelização. Ele entendia que Deus “usa nossas obras e nos convoca a ser seus instrumentos em cultivar o seu campo” (Comentário em Mateus 13.24-30). Calvino afirmava ser a evangelização uma obra de Deus, e não nossa, mas que Deus nos usa como seus instrumentos. Comentando em Romanos 10.15 ele diz que “o evangelho não cai das nuvens como a chuva, acidentalmente, senão que é levado pelas mãos dos homens aonde quer que Deus os envie lá do alto.” Ele ensinou que a evangelização é o método comum de “reunir uma igreja, pois, embora Deus possa trazer a si mesmo cada pessoa por meio de uma influência secreta, ele emprega a ação de homens, para que desperte neles uma ansiedade pela salvação uns dos outros” (Comentário de Isaias 2.3). As palavras de Calvino, “nada retarda tanto o progresso do reino de Cristo como a escassez de ministros” (Apud Joel Beeke, Vivendo para Glória de Deus, p.295), revelam seu entendimento da necessidade de homens que preguem o evangelho.
Sua paixão por evangelização era tanta que em seus escritos ele apelava pela salvação dos pecadores. “Temos de desejar todos os dias que Deus reúna para si mesmo uma igreja de todas as partes da terra” (Apud Joel Beeke, Vivendo para Glória de Deus, p.296), dizia ele. Para ele, todo ministro deve estar disposto a “sair para anunciar a doutrina da salvação em cada parte do mundo.” Seu zelo evangelístico era tanto que alguns o chamam de pai teológico do movimento missionário reformado, pois ele foi, em grande escala, responsável por reacender a tocha da evangelização bíblica durante a reforma.
Embora Calvino manteve Genebra como sua base de trabalho para o reino, ele manifestava uma preocupação com os perdidos de outros lugares. Tanto é que ele empreendeu esforços no envio de missionários, que ele mesmo treinara na Academia de Genebra, por toda Europa e no Brasil para a proclamação do evangelho e organização de igrejas reformadas. Estima-se que entre 1555 e 1562 Calvino enviara ao mundo mais de 142 missionários. Sua preocupação com a salvação dos povos era tanta que chegou a escrever a Heinrich Bullinger: “Quando considero quão importante este canto [do mundo, i. é, Genebra] é para a propagação do reino de Cristo, tenho boas razões para ansiar que ele seja cuidadosamente supervisionado” (Apud Joel Beeke, Vivendo para Glória de Deus, p. 300).
O Zelo evangelístico de Calvino achava-se fundamentada em sua boa teologia. Para Calvino a questão a ser feita não era: “se Deus é soberano por que evangelizar?” Mas, sim: “Se Deus é soberano por que não evangelizar?” A soberania de Deus fomentava o zelo evangelístico de João Calvino.
Verdadeiramente, temos de admitir, aqueles que falam mal desse grande homem de Deus são os que nada sabem sobre ele. Do contrário, se uniriam a declaração de Theodoro Beza em dizer: “Por ter sido um espetador de sua conduta durante dezesseis anos, tenho dado fieis informações sobre sua vida e morte, e posso declarar que nele todos os homens podem ver o mais belo exemplo de carácter cristão, um exemplo que é tão fácil de caluniar quanto difícil de imitar” (Apud Steven Lawson, A Arte Expositiva de João Calvino, p. 29). Que Deus ajude os filhos da reforma, nós, a sustentar um zelo pela evangelização do mundo como fizeram os nossos pais reformados.

(Kennedy Bunga)
SUGESTÃO DE LEITURA:
1- BEEKE, Joel. Calvino e a evangelização, capítulo 20 de Vivendo para Glória de Deus. SP: Fiel, 2010.
2- HAYKIN, Michael; ROBINSON, Jeffrey. O Legado Missional de Calvino. SP: Cultura Cristã, 2017.

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